quarta-feira, 11 de junho de 2008

Para refletir


O autor deste texto é João Pereira Coutinho, jornalista.
"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta
não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas
proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo
contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa
ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há
cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da
fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas
numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos
três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis,
e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos,
como se a criança fosse um potro de competição.

Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas
sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com
sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão
geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de
sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho,
os restaurantes de sonho.

Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar
forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais
temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A
meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar
o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.

Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne,
saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a
felicidade!"

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Leitura e escrita: formando cidadãos críticos e conscientes


ZEITGEIST: um termo alemão para designar 'o espírito do tempo', ou, em outras palavras, o nível de avanço intelectual e cultural do mundo em um determinado período.
Esse foi o nome dado a um documentário (http://video.google.com/videoplay?docid=-1437724226641382024 ) no mínimo polêmico, envolvendo religião, guerra e poder. Depois de assisti-lo, deixe aqui seu comentário, considerando o tema do vídeo, sua opinião sobre ele, se o (a) envolveu de alguma forma, se há coerência nos argumentos apresentados, se pode ser compreendido como uma leitura possível do mundo e por que motivos, etc,...

terça-feira, 15 de abril de 2008

Aos alunos de Língua Portuguesa III




Estou reabrindo esse espaço de discussão sobre leitura. Afinal, ela deve ser uma atividade simples, bela e cheia de surpresas e descobertas. Portanto, vamos discuti-la! Se quiserem, além de comentar o que leram, sugerir a leitura para os colegas, apresentando as razões pelas quais vale a pena (ou não) ler determinado texto (ou obra), sintam-se à vontade! Espero todos vocês...

terça-feira, 4 de março de 2008

"Não, nunca me acontecem milagres. Ouço falar, e às vezes isso me basta como esperança. Mas também me revolta: por que não a mim? Por que só de ouvir falar? Pois já cheguei a ouvir conversas assim, sobre milagres: 'Avisou-me que, ao ser dita determinada palavra, um objeto de estimação se quebraria'. Meus objetos se quebram banalmente e pelas mãos das empregadas. Até que fui obrigada a chegar à conclusão de que sou daqueles que rolam pedras durante séculos, e não daqueles para os quais os seixos já vêm prontos, polidos e brancos. Bem que tenho visões fugitivas antes de adormecer - seria milagre?" (O milagre das folhas - Clarice Lispector)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

"Perder-se também é caminho." Clarice Lispector


De tudo o que se lê, o que você consegue reter? O que te agrada? O que você decora? O que te dizem tantas mensagens e frases e ditos que às vezes nos dizem tão pouco que não sabemos porquê os lembramos. Às vezes frases insequecíveis ficam guardadas em forma de fragmento na nossa mente. Às vezes lembramos delas nitidamente e, inclusive, as usamos nas conversas com amigos... Às vezes nos perdemos no meio das palavras e esquecemos o que queríamos ser... Existe alguma frase que a Literatura te mostrou e que te diz algo profundo e verdadeiro? Conta aqui... Abraços e felicidades...

terça-feira, 9 de outubro de 2007

AUTOPSICOGRAFIA
Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor,
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.


Que tal entrar nesse jogo de fingir que verdade é o poema que se lê?!!
Qual é teu poema favorito?
Que poema tu sabes de cor?
Será um Corvo maldito
Ou uma dor bem maior?
Deixa aí tua sugestão de poesia e compartilha conosco essa fantasia!!
Abraços
Sami

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Oi pessoal! (acho que agora aprendi a postar direitinho!!! - technical problems!!!ok ok) Só queria registrar minha felicidade ao ver a discussão promovida a partir da problemática proposta. Acho que rendeu uma boa troca de idéias... É muito provável que todos tenham razões bastante fortes para defender seus pontos de vista e não serei eu quem dará a última palavra a respeito da "Literatura Pop". O que posso dizer é que existem livros para todos os tipos de leitores e isso é o que realmente vale: ler!
Super abraço!

terça-feira, 8 de maio de 2007

Oi, tudo bem?! Obrigada pela visita! Bj